Nova equipe de Guardiões da Galáxia nos quadrinhos. Mas o que isso significa?

Nova equipe de Guardiões da Galáxia nos quadrinhos. Mas o que isso significa?

Diferentemente dos personagens dos mangás (os famosos quadrinhos orientais), os quadrinhos ocidentais são diferentes. Nos mangás as jornadas e os personagens costumam ter um início, meio e fim. Já no ocidente os personagens são “eternos”. Isso faz com que tais personagens estejam em constante mudança para evitar o desgaste. Os guardiões da Galáxia, a Liga da Justiça, os Vingadores e a maioria dos outros heróis atuais, portanto, é bem diferente da sua versão de estreia. Mas o que essas mudança tem representado na atual era dos heróis nas telonas?

A chegada da Marvel Studios e o início do MCU

A chegada do universo cinematográfico da Marvel mudou tudo, para sempre. Primeiramente, houve a ascensão dos populares Guardiões da Galáxia (até então obscuros). E é importante lembrar que o próprio cinema nunca mais foi o mesmo.

Completando 10 anos de produção, o “Marvel Cinematic Universe” está enfim ganhando os contornos da sua contraparte nos quadrinhos. Tivemos a equipe dos Vingadores, e por conseguinte o universo se expandiu para o espaço com a trama de Thanos e os Guardiões da Galáxia, além da dimensão mística apresentada pelo Dr. Estranho.

O MCU acaba de ganhar ainda a adição de Carol Danvers, A capitã Marvel. A heróina foi introduzida no MCU de forma natural e e bem produzida. Há quem diria até que foi planejada durante todo esse tempo, como uma carta na manga.

Poster Vingadores Guerra Infinita
Pôster Vingadores: Guerra Infinita – É possível ter uma prévia da quantidade de personagens inseridos na universo cinematográfico da Marvel ao longo do tempo. (Fonte: Marve/Disney – Divulgação)

Guerra da Bilheteria Infinita

Mas nem tudo são flores. O trabalho impôs uma espécie de “padronização” dos filmes de super herói. Os fãs, impulsionados pela internet (motor de tudo isso), passaram a rejeitar tudo que não tivesse o selo “Marvel” estampado.

O resultado foi a Sony “devolvendo” (ninguém sabe ao certo até quando) o Homem Aranha para a casa das Ideias. A Warner tendo que restruturar seus heróis da DC para que ficassem mais parecidos com os filmes da Marvel. E a Fox simplesmente sendo engolida pela enorme bolha de absorção da Disney.

Os X-Men passaram ainda por um verdadeiro linchamento virtual. Personagens que tanto cativaram as pessoas nos anos 2000, de repente “perderam a graça”. Não importaram os malabarismos que a empresa fez para reiniciar o universo. Houve inclusive novas versões dos heróis, com direito a crossover com a “primeira classe” (literalmente) .

(Destaque para “Deadpool” e “Logan”. Os dois longas conseguiram se provar no gosto popular e na fidelidade às HQs. E tudo isso trilhando um caminho próprio bem distante da famosa fórmula Marvel)

A volta pra casa

O lado positivo foi conseguir trazer de volta vários personagens icônicos aos estúdios cinematográficos da Casa das Ideias. Além do recente encontro entre o Homem Aranha e os Vingadores, faltam os recém adquiridos Quarteto Fantástico e X-Men.

Mas não foi apenas o universo dos cinemas que passou a sofrer alterações baseadas no sucesso do MCU. Ao olhar de perto, é possível perceber algumas mudanças sutis no universo dos quadrinhos. Mais do que ajustes, tais mudanças parecem trazer dicas importantes do que o estúdio reserva para os personagens no cinema…

Super Heróis e cinema

Recentemente, a equipe dos Guardiões da Galáxia foi mais uma vez reformulada nos quadrinhos. O que é algo interessante a se pensar, uma vez que o time já havia sido reestruturado para dar destaque às versões que os personagens ganharam nas telonas. Mas olhando de perto, outras equipes passaram por algo parecido.

Imagine que você é acionista de uma editora de quadrinhos. No ano em que ela está à beira da falência, você vende os direitos autorais de alguns personagens. Muitos anos se passam, e agora a moda é ganhar dinheiro fazendo filmes com esses mesmos personagens. Muito dinheiro.

Yondu Udonta Quadrinhos cinema
Da esquerda para a direita: Yondu Udonta em sua versão original dos quadrinhos –> Yondu interpretado por Michael Rooker nos cinemas –> e Yondu em sua versão atual dos quadrinhos, modificada após sua aparição no MCU (Fonte: Marvel Comics/Disney Studios, Divulgação).

A guerra dos direitos autorais

Mas você não pode mais fazer dinheiro com algumas de suas peças principais. O direito de fazer filmes com vários de seus personagens está agora com outra empresa. E o que é pior, para cada quadrinho que você consegue vender, a popularidade desses personagens aumenta ainda mais.

O que há de ruim nisso? A concorrência, que agora usa o seu material, está ganhando dinheiro com seus personagens e usando você para fazer um “marketing” gratuito. Então… O que resta fazer? Parar de publicar tais personagens? Inviável. Matá-los? Misturá-los em outras equipes de modo a retirar sua identidade?

E a resposta é… Uma mistura das duas últimas. Há alguns anos atrás o quarteto Fantástico foi desfeito. Seus personagens não deixaram de existir, mas acabaram indo parar em outras equipes, de modo a desfazer a formação clássica que tinham nos cinemas.

Em meados de 2017-2018, auge da guerra Disney/Fox, equipes como o Quarteto Fantástico foram desintegradas. O casal Storm desapareceu. Personagens como o Coisa foram parar na equipe dos Guardiões (Fonte: Marvel Comics)

O Contorno Inteligente da Fox

Outros, como o Wolwerine, ganharam um processo de descaracterização ao ponto de modificar sua aparência física e até mesmo deixar de lado o uniforme, como no caso da HQ “Velho Logan”. Contudo,  é engraçado nesse caso perceber que o tiro saiu pela culatra, já que a FOX decidiu justamente adaptar essa HQ em um filme de sucesso.

Os próprios X-Men foram enviados ao espaço por um tempo, e tudo levava a crer que o grupo dos Inumanos acabaria tomando o espaço dos mutantes no universo Marvel do cinema. Um ponto fora do curva nessa teoria seriam as HQs do Deadpool, já que o personagem continuou sua saga nos quadrinhos, independente do seu sucesso no cinema.

Velho Logan
Violenta, com temática soturna e adulta, “Velho Logan” trazia um Wolwerine diferente do personagem que há anos fazia sucesso nos filmes da Fox. O que a empresa fez? Correu e adaptou a versão do personagem para os cinemas.

Briga interna

E o inusitado acontece. James Gunn é despedido da Marvel após uma polêmica envolvendo posts em redes sociais há mais de dez anos. O elenco do filme não fica contente com a decisão da Disney, e todo o projeto com os Guardiões é engavetado.

Coincidentemente, nos quadrinhos a equipe dos Guardiões deixa de existir. Não de forma literal, mas sem a sua formação clássica. A nova equipe, por mais que desperte curiosidade, parece querer se distanciar ao máximo da sua contra parte nos cinemas.

Ordem na casa

Interessante observar como os quadrinhos acabam virando uma lente para entender o que se passa na cabeça dos grandes executivos por trás desses personagens. Se o cinema traz uma surpresa agradável, se é possível explorar a popularidade de determinado personagem, as cortinas se abrem, e ele emerge com destaque nas comics.

Por outro lado, se eles não desejam destaque para X ou Y nas telas, as engrenagens dos roteiristas de quadrinhos giram, e equipe são desfeitas, personagens passam por crises de identidade, tiram umas férias, e logo estão diferentes das suas contrapartes cinematográficas.

As verdadeiras Guerras secretas

Isso leva a refletir sobre a complexa relação das massas com o conteúdo que consomem. Quadrinhos, cinema, contratos, atores, dinheiro, memes, escândalos de Holywood, tudo misturado em uma borbulhante sopa de efeito borboleta, cujo resultado é o produto que você consumirá nos próximos anos.

A Disney anunciou recentemente a volta de James Gunn para dirgir Guardiões da Galáxia 3. O que isso significará para o mundo dos quadrinhos? Seria coincidência  o retorno de histórias focadas nos X-Men e no Quarteto Fantástico, agora que estão em posse da Disney? Aguardemos a próxima jogada no tabuleiro.

Vanilson Braga

"Nesta foto ao lado, eu estou olhando para o canto superior direito, sem nenhum motivo aparente".

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