Independence Day: O Ressurgimento, bonitinho mas ordinário.

Logo de cara, Independence Day: O Ressurgimento, expõe como muitos outros filmes um dilema ao pretenso espectador antes mesmo deste comprar o ingresso: Abdicar da opção 3D, economizar e conseguir ver mais cores, mais contraste, ou confiar que esse filme será diferente e que lhe proporcionará uma experiência imersiva na tela?

Confesso que escolhi a opção equivocada ao optar pelo 3D. Independence Day: O Ressurgimento, não faz de forma alguma, proveito dessa ferramenta tornando-a uma aliada no storytelling, que é deplorável. Ou seja, você só percebe que está assistindo um filme 3D pelo preço do ingresso.

Antes de iniciar um apontamento sucessivo de falhas perceptíveis até ao espectador médio, sinto-me na obrigação de enfatizar o quão bem produzido foi Independence Day. Um belo elenco, apesar de nenhuma atuação impressionar, uma boa fotografia, apesar de não ousar e uma ótima computação gráfica e efeitos especiais. Se o roteiro, a atuação, o 3D, a física, não conseguiram lhe proporcionar uma experiência imersiva, aposto todas minhas moedas em que as lindas cenas da atmosfera, da galáxia, do espaço sideral conseguiram; infelizmente, para uma peça audiovisual, especialmente uma de 2h09m, isso não é o suficiente.

O segundo ponto que mais me incomodou em todo o filme é de longe o roteiro. Personagens sem o mínimo de profundidade, diálogos mal estruturados… Além disso, em toda a extensão do filme, há inserts pretensiosos. Cenas de menos de um minuto de duração que se propõem a transmitir uma mensagem, uma ideia que contribuiria com o entendimento do filme e do personagem, mas que não conseguem nem em uma pequena porcentagem. Aconteceu isso ao se expor o background de Jake, parafraseando: “A última coisa que disse aos meus pais foi que eu os odeio”. Aconteceu isso na desgostosa morte da mãe de Dylan e em várias outras cenas.

Um roteiro paupérrimo como tal e à sombra de seu antecessor, não surpreenderia se em meio à personagens mal desenvolvidos, os atores não conseguissem uma boa atuação. E certeiramente, é o que acontece. Tanto Angelababy, (Rain), ao perder o tio, quanto Jessie T. Usher, (Dylan), ao perder a mãe, como Maika Monroe (Patricia Whitmore) ao perder o pai, todos os três atores demonstraram diante dessas cenas que requereriam o mínimo de dramaticidade, uma atuação frustrada e não convincente.

A montagem, outro ponto negativo, faz com que as cenas passem tão rápido que não é possibilitado ao espectador nenhum tipo de empatia. A verdade é que nenhuma cena é valorizada em todo o filme. Nem mesmo as mais importantes. Se piscar os olhos, você perde o porquê Dylan odeia Jake; se piscar novamente, perde o glorioso sacrifício do ex-presidente Whitmore.

Os leitores mais atentos viram que acima foi dito o segundo ponto mais “incomodativo”, mas que, porém, o ponto principal negativo ficou escuso. Há um casal homossexual no filme que se reencontra após 20 anos, devido ao estado de coma de um dos parceiros. Entretanto, o filme deixa a entender que o Dr.Okun era visitado com imensa frequência por seu parceiro durante longos 20 anos. O engraçado é que após todos esses anos de espera incessante e esperançosa, nos é apresentado um reencontro sem paixão, sem amor, sem ao menos um gesto de carinho. O filme perpassa sem um gesto de carinho afetivo do casal. Para quem estava esperando 20 anos, ficar por todo o filme sem um único beijo é algo realmente inacreditável.

Ao invés disso, o beijo do casal mais maduro foi substituído afinal, pelo do casal hétero, “romântico” e “apaixonado” Liam Hemsworth e Maika Monroe. Esse filme passa uma clara sensação de que aquele casal homossexual só está ali para angariar simpatia, para os realizadores dizerem “olhe, nós não somos preconceituosos”.

Ao sair da sessão à qual me encontrava, deparei-me com uma menininha perguntando aos pais: “Afinal, esse filme é Drama? Aventura? Ação? Romance?”. E de fato a pergunta tem cabimento. É certo que Tarkovsky bem afirmava com veemência, de forma acertada, que o conceito de gênero é tão frio quanto a tumba.

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